# O Consumidor Invisível: a Economia da Longevidade e o Maior Erro de Cálculo da Publicidade Brasileira

> O Brasil envelhece na velocidade mais alta de sua história: os 65+ cresceram 57,4% em 12 anos e os 60+ serão 37,8% da população em 2070. No mundo, os 50+ já geram US$ 45 trilhões, um terço do PIB global. Mas apenas 4% das pessoas nos anúncios têm 60 anos ou mais, e 7 em cada 10 brasileiros maduros se dizem invisíveis para a publicidade. Esta pesquisa mede a distância entre a demografia e a verba, e mostra por que ela é o maior mercado sem dono do país.

| Campo | Valor |
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| URL canônica | https://pesquisas.rito.ag/pesquisas/longevidade-consumidor-invisivel/ |
| Edição | 009 |
| Categoria | Comportamento |
| Publicada | 2026-07-30 |
| Atualizada | 2026-07-30 |
| Autoria | rito.ag |
| Tempo de leitura | 35 minutos |
| Abrangência | Global, com foco no Brasil |

*A publicidade brasileira ainda opera com um mapa demográfico que deixou de existir. O público que mais cresce, que tem a renda mais estável e que menos lealdade de marca carrega é exatamente o que as marcas menos olham. Metade desse mercado está, literalmente, sem dono: 52% dos consumidores 60+ não são fiéis a marca nenhuma.*

## Principais achados

- O Censo 2022 contou 22.169.101 brasileiros com 65 anos ou mais (10,9% da população), crescimento de 57,4% sobre 2010; as projeções do IBGE (revisão 2024) indicam que os 60+ passarão de 15,6% da população em 2023 para 37,8% em 2070.
- As pessoas 50+ geraram US$ 45 trilhões em 2020, o equivalente a 34% do PIB global, e devem responder por US$ 118 trilhões (39%) em 2050, segundo o Global Longevity Economy Outlook da AARP com a Economist Impact.
- Apenas 4% das pessoas retratadas em mais de 126 mil anúncios analisados pela CreativeX têm 60+, e menos de 1% aparece em papel de liderança; no Brasil, mais de 70% dos 50+ dizem se sentir invisíveis para a publicidade (AlmapBBDO, 2023).
- 52% dos brasileiros 60+ não são fiéis a nenhuma marca, número que sobe a 74% entre os 75+ (Tsunami60+, 2018): o maior mercado em crescimento do país está aberto para quem falar com ele primeiro.
- O idadismo tem custo mensurável: 1 em cada 2 pessoas no mundo tem atitudes idadistas (OMS, 2021), o fenômeno custa US$ 63 bilhões por ano só ao sistema de saúde americano, e a autopercepção positiva do envelhecimento está associada a 7,5 anos a mais de vida (Levy et al., 2002).

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## O consumidor de trilhões que a propaganda decidiu não ver

Em 2003, a antropóloga Guita Grin Debert, da Unicamp, procurou um renomado especialista em mídia para discutir a imagem do velho na propaganda brasileira. A resposta que recebeu virou registro acadêmico, publicado na revista Cadernos Pagu: "Não é possível. Não há velhos na publicidade". O especialista não estava defendendo a ausência. Estava constatando que o objeto de pesquisa simplesmente não existia.

Vinte e três anos depois, o objeto continua raro, mas agora ele tem medição global. Um estudo da CreativeX, empresa de análise de criativos, examinou mais de 126 mil anúncios de grandes anunciantes, representando US$ 124 milhões em investimento de mídia: apenas 4% das pessoas retratadas tinham 60 anos ou mais, embora o grupo seja 16% da população mundial e responda por cerca de um quarto do poder de gasto. Menos de 1% dessas personagens aparecia em papel profissional ou de liderança; cerca de 65% estavam em cenas domésticas ou familiares. No Brasil, a pesquisa A Revolução da Longevidade, feita pela AlmapBBDO com a QualiBest e o Favela Diz em 2023, encontrou o outro lado do mesmo espelho: mais de 70% das pessoas 50+ disseram se sentir invisíveis para a publicidade, e, quando aparecem, retratadas de forma equivocada.

Enquanto isso, do lado da demografia e da economia, os números correm na direção contrária. O Censo 2022 contou 22.169.101 brasileiros com 65 anos ou mais, 10,9% da população, um salto de 57,4% em 12 anos. No mundo, as pessoas 50+ geraram US$ 45 trilhões em 2020, o equivalente a 34% do PIB global, segundo o Global Longevity Economy Outlook, estudo da AARP conduzido pela Economist Impact em 76 economias. E no Brasil, o consumo do público maduro é estimado entre R$ 1,6 trilhão e R$ 2 trilhões por ano, a depender da fonte e do recorte, como esta pesquisa detalhará com as devidas ressalvas.

A distância entre esses dois conjuntos de números é o tema desta pesquisa. Não se trata de uma pauta de responsabilidade social, embora a dimensão ética exista e a OMS a documente. Trata-se do maior erro de alocação de atenção do marketing brasileiro: o público que mais cresce, que tem a renda mais previsível do país e que declara abertamente não ter marca preferida está recebendo a menor fração da verba, do elenco e da inteligência criativa. E há um dado que transforma essa negligência em oportunidade concreta para quem se mover primeiro: 52% dos consumidores brasileiros 60+ não são fiéis a nenhuma marca, segundo o estudo Tsunami60+. Entre os 75+, o número chega a 74%. Metade do mercado que mais cresce no país está, literalmente, sem dono.

## Como chegamos aqui: a invenção do consumidor descartável aos 49

A invisibilidade do consumidor maduro não é um acidente. Ela foi construída, tem data de nascimento aproximada e endereço: Nova York, início dos anos 1960.

Na época, a rede de TV americana ABC ocupava um distante terceiro lugar atrás de CBS e NBC, e não tinha como vencer no jogo da audiência total. A saída foi mudar a régua do jogo. A emissora convenceu o mercado, com apoio da Nielsen, de que o que importava não era quantas pessoas assistiam, mas quais: espectadores jovens, supostamente mais abertos a experimentar produtos e menos fiéis a marcas estabelecidas. Nascia o "demo" 18-49, a faixa etária que virou moeda da televisão americana e, por contágio, da publicidade mundial. A lógica foi refinada ao longo das décadas de 1960 e 1970 e nunca mais saiu do sistema operacional do setor: acima dos 49 anos, o consumidor deixava de contar para a tabela de preços da mídia.

Repare no que essa régua pressupõe: que a pessoa acima de 50 anos já formou todas as suas preferências, não muda de marca e, portanto, não vale o investimento de persuasão. Era uma tese de negócios datada, construída para resolver o problema comercial de uma emissora específica em um país que, naquele momento, era demograficamente jovem. O problema é que a tese sobreviveu ao contexto. Quando a Debert analisou o corpus da propaganda brasileira dos anos 1990, encontrou exatamente essa herança: o velho ausente ou reduzido a caricatura, e um mercado que via o envelhecimento como fracasso de consumo. O nome acadêmico que ela deu ao fenômeno é preciso: "reprivatização do envelhecimento", a transformação de uma etapa natural da vida em problema individual de quem não soube se manter jovem.

Meio século depois do 18-49, os dois pilares da tese ruíram. O primeiro, demográfico: o centro de gravidade da população saiu da faixa jovem, e esta pesquisa mostrará a velocidade brutal com que isso aconteceu no Brasil. O segundo, comportamental: a premissa de que o consumidor maduro não muda de marca foi desmentida pelo próprio mercado, e os 52% sem lealdade do Tsunami60+ são a prova mais direta. O que não ruiu foi o hábito. A publicidade continua comprando mídia, montando elenco e escrevendo roteiro com a régua de 1965. Há inclusive uma explicação estrutural para a inércia, e ela está dentro das próprias agências: segundo o Observatório da Diversidade da Propaganda, citado pelo Meio & Mensagem, apenas 6% dos profissionais das agências brasileiras têm mais de 50 anos. O setor que decide quem aparece na tela é um dos mais etariamente homogêneos do país. Ninguém desenha bem um consumidor que não conhece.

## O Brasil que o Censo revelou: envelhecimento em velocidade recorde

Os números demográficos brasileiros dos últimos três anos formam o alicerce factual desta pesquisa, e vale apresentá-los na sequência em que o IBGE os publicou, porque cada divulgação apertou o mesmo parafuso.

Primeiro, o retrato. O Censo 2022, divulgado em outubro de 2023, contou 22.169.101 pessoas com 65 anos ou mais, 10,9% da população, contra 14.081.477 (7,4%) em 2010: crescimento de 57,4% em 12 anos, o mais rápido da série. No mesmo intervalo, as crianças de 0 a 14 anos caíram de 24,1% para 19,8% da população. O índice de envelhecimento saltou de 30,7 para 55,2 idosos por 100 crianças. A pirâmide etária brasileira, aquela do livro escolar com base larga, deixou de existir.

Depois, o filme. As Projeções da População do IBGE, revisadas em agosto de 2024, desenharam a trajetória: a população brasileira atinge o pico de 220,4 milhões em 2041 e passa a encolher. As pessoas com 60 anos ou mais, que eram 8,7% da população em 2000 e 15,6% em 2023, chegarão a 37,8% em 2070. A taxa de fecundidade, que era de 2,32 filhos por mulher em 2000, caiu a 1,57 em 2023, bem abaixo do nível de reposição. A idade média da população, 35,5 anos em 2023, alcançará 48,4 anos em 2070. E a Tábua de Mortalidade de 2024, divulgada em novembro de 2025, completou o quadro pelo lado individual: a expectativa de vida ao nascer atingiu 76,6 anos, a maior da série histórica iniciada em 1940, e quem chega aos 60 anos vive, em média, mais 22,6 anos.

![Envelhecimento do Brasil em três atos: pessoas com 60 anos ou mais eram 8,7% da população em 2000, 15,6% em 2023 e serão 37,8% em 2070, enquanto a população total atinge o pico de 220,4 milhões em 2041 e a expectativa de vida chegou a 76,6 anos](https://pesquisas.rito.ag/pesquisas/longevidade-consumidor-invisivel/imagens/grafico-01.svg)
*Fonte: IBGE, Censo 2022, Projeções da População (revisão 2024) e Tábua de Mortalidade 2024.*

O dado que falta nesse resumo, e que muda a conversa para qualquer estrategista, é a velocidade comparada. Segundo levantamento da Fundação Dom Cabral citado pelo Meio & Mensagem, a França levou 145 anos para sua população idosa ir de 10% para 20% do total. O Brasil fará o mesmo percurso entre 2011 e 2030: 19 anos. A Europa envelheceu com tempo para adaptar cidades, previdência, saúde e, sim, cultura de consumo. O Brasil está fazendo a mesma transição em uma única geração, e envelhecendo antes de enriquecer. Isso significa que os erros de leitura demográfica que lá se corrigiram ao longo de décadas aqui cobram o preço em anos.

Para o mercado, a consequência prática é aritmética: não existe estratégia de crescimento no Brasil das próximas três décadas que não passe pelo consumidor maduro, porque é o único segmento etário em expansão. Uma marca que hoje define seu público-alvo como "25 a 45 anos" está mirando uma fatia da população que encolhe a cada trimestre, enquanto trata como residual a única que cresce. Em qualquer outra dimensão do planejamento, chamaríamos isso de erro de modelo. Em idade, o mercado ainda chama de "foco".

## A economia da longevidade é a maior história de consumo do século

Se a demografia dá o volume, a economia dá o valor, e os números globais são de uma escala que o marketing ainda não internalizou.

O estudo de referência é o Global Longevity Economy Outlook, produzido pela AARP, a maior organização de pessoas 50+ do mundo, com análise da Economist Impact, cobrindo 76 economias que respondem por 95% do PIB global. Os resultados, publicados em 2023 com dados-base de 2020: as pessoas 50+, então 24% da população mundial, geraram US$ 45 trilhões em atividade econômica, o equivalente a 34% do PIB global. O consumo direto do grupo somou US$ 35 trilhões, metade de todo o consumo do planeta. A projeção para 2050: US$ 118 trilhões, ou 39% do PIB mundial. Nenhuma outra "megatendência" do marketing contemporâneo, nem creator economy, nem esportes, nem games, opera nessa ordem de grandeza. Estamos falando do maior bloco econômico do mundo, maior que o PIB de qualquer país.

A edição americana mais recente do estudo, publicada em junho de 2026, mostra a dinâmica em um mercado maduro: os 50+ geraram US$ 12,5 trilhões em 2024, ou 43% do PIB dos Estados Unidos, acima dos US$ 8,3 trilhões (40%) de 2018. O consumo do grupo foi de US$ 10,7 trilhões, mais da metade do consumo do país, e a atividade econômica ligada a ele sustentou 98 milhões de empregos, 46% do total americano. A trajetória importa tanto quanto o nível: a participação dos 50+ no PIB americano subiu três pontos percentuais em seis anos. A economia da longevidade não é um nicho estável, é uma participação em expansão dentro do bolo total.

![A economia da longevidade em escala: pessoas 50+ geraram US$ 45 trilhões (34% do PIB global) em 2020, com projeção de US$ 118 trilhões (39%) em 2050; nos Estados Unidos, o grupo respondeu por 43% do PIB em 2024, com consumo de US$ 10,7 trilhões](https://pesquisas.rito.ag/pesquisas/longevidade-consumidor-invisivel/imagens/grafico-02.svg)
*Fontes: AARP com Economist Impact, Global Longevity Economy Outlook (dados de 2020) e Longevity Economy Outlook 2026 (dados americanos de 2024).*

Duas ressalvas de leitura, porque esta pesquisa se compromete a fazê-las. Primeira: esses estudos medem a atividade econômica associada ao grupo (consumo, trabalho, impostos, cadeias de valor), não um "mercado endereçável" que uma marca captura inteiro; o número serve para dimensionar relevância, não para projetar receita. Segunda: a AARP é uma organização de defesa dos 50+, com interesse legítimo em dimensionar a importância do grupo. O contrapeso é que a análise é da Economist Impact, a metodologia é publicada, e os dados demográficos que sustentam a tendência vêm de fontes oficiais independentes, como a OMS, que projeta 1,4 bilhão de pessoas 60+ no mundo em 2030 e 2,1 bilhões em 2050, com 80% delas vivendo em países de renda baixa e média, categoria que inclui o Brasil.

Esse último dado da OMS merece a ênfase que raramente recebe: o envelhecimento deixou de ser fenômeno de país rico. A imagem mental do "consumidor sênior" como aposentado europeu de alto patrimônio está tão desatualizada quanto o demo 18-49. As próximas décadas da economia da longevidade serão escritas em países como o Brasil, com renda média, sistemas de proteção social sob pressão e mercados de consumo de massa. Quem aprender a servir o consumidor maduro brasileiro estará aprendendo o padrão do mercado global que vem, não a exceção.

## O prateado brasileiro: renda estável, consumo real, bolso hipotecado

Quanto vale, afinal, o consumidor maduro brasileiro? A resposta honesta começa admitindo que os números disponíveis divergem, e explicando por quê.

A referência mais citada é o Tsunami60+, estudo da Pipe.Social com a Hype60+ realizado em 2018: pesquisa quantitativa com 2.242 respondentes 55+ de todas as regiões e classes, mais etnografia com cerca de 100 pessoas 60+ em cinco capitais. Sua estimativa: os consumidores maduros respondiam por quase 20% do consumo nacional, cerca de R$ 1,6 trilhão por ano. Uma estimativa mais recente, da consultoria Data8 citada pelo Meio & Mensagem, fala em R$ 2 trilhões movimentados pela economia prateada brasileira, com recorte 50+. Os dois números não são comparáveis entre si (anos, recortes etários e métodos diferentes), e esta pesquisa os cita sempre com fonte e data. O que ambos estabelecem, com folga, é a ordem de grandeza: o consumo maduro brasileiro é um mercado de trilhões, na mesma escala do agronegócio na economia nacional.

A característica mais valiosa dessa renda, do ponto de vista de uma marca, não é o volume, é a previsibilidade. A base da renda 60+ brasileira é a previdência, e isso tem dois lados que precisam ser ditos juntos. O lado da força: é a renda mais estável do país, imune a desemprego e a ciclo econômico, depositada todo mês. A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgada em dezembro de 2025, dimensiona o que ela significa: sem aposentadorias e pensões, a pobreza entre os 60+ saltaria de 8,3% para cerca de 52%, e a extrema pobreza, de 1,9% para cerca de 35%. O idoso brasileiro médio não é rico, mas é o integrante mais financeiramente previsível da família, e frequentemente o que sustenta as outras gerações dentro de casa.

O lado do limite: parte desse fluxo já está comprometida. O crédito consignado do INSS soma mais de 16 milhões de contratos ativos, segundo dados do próprio instituto divulgados pela imprensa em 2025, com margem consignável de 45% do benefício e prazos que chegaram a 96 meses. Uma fração relevante do poder de compra prateado está hipotecada ao crédito antes de chegar ao consumo. Para as marcas, isso desenha um consumidor específico: renda garantida, orçamento apertado, alta sensibilidade a valor percebido e uma relação com crédito que mistura acesso e armadilha. Quem vender aspiração pura para esse público vai errar o alvo; quem vender valor concreto, durabilidade e confiança fala a língua do orçamento dele.

Há ainda uma ressalva de representatividade que o próprio mercado raramente faz sobre seus estudos favoritos: a amostra quantitativa do Tsunami60+ era 75% branca e 52% com ensino superior ou pós-graduação, um perfil muito acima da média real do brasileiro 60+. Os retratos disponíveis da "economia prateada" descrevem melhor o topo da pirâmide etária do que sua base. Isso não invalida os números agregados, mas avisa: o consumidor maduro brasileiro é profundamente heterogêneo, e tratá-lo como bloco único é repetir, com sinal trocado, o erro do 18-49.

## O 60+ digital: o maior gap e a maior fronteira de crescimento

A objeção mais comum ao investimento no público maduro é digital: "esse público não está nos nossos canais". Os dados de 2024 mostram que a objeção está meio certa e meio errada, e que a parte errada é a que cresce.

A fonte primária brasileira é a TIC Domicílios, do Cetic.br/CGI.br, a medição oficial de uso de tecnologia no país. Na edição 2024: 63% dos brasileiros com 60 anos ou mais eram usuários de internet pelo indicador ampliado, contra 89% da população geral e 98% dos jovens de 16 a 24. O gap existe e é o maior entre todas as faixas etárias. Mas observe o que os 63% significam em volume: são cerca de 20 milhões de pessoas maduras online, mais que a população da maioria dos estados brasileiros. E entre os 60+ que compram online, o comportamento é sofisticado: 80% usam marketplaces, 47% aplicativos de lojas, 31% sites, segundo o indicador H9 da mesma pesquisa. O consumidor maduro conectado não está "aprendendo a internet": ele compara preço em marketplace como qualquer outro. A comparação com a população geral torna isso explícito: entre todos os brasileiros que compram online, 90% usam marketplaces, 65% aplicativos de lojas e 35% sites. Ou seja, no canal dominante do e-commerce nacional, a distância entre o comprador 60+ e o comprador médio é de apenas dez pontos percentuais. O gap etário brasileiro está no acesso à internet, não no comportamento de quem já a acessa. Uma vez conectado, o consumidor maduro converge rapidamente para o padrão geral de compra, o que derruba a última linha de defesa do planejamento que o exclui dos canais digitais.

O estudo da AlmapBBDO adiciona a camada de frequência: 70% dos 50+ acessam a internet todos os dias, 64% estão diariamente nas redes sociais e 43% compraram online no último ano. A imagem do idoso analógico, sustentáculo de tanto planejamento de mídia preguiçoso, descreve uma fração decrescente do grupo.

![O 60+ brasileiro no digital em 2024: 63% usam internet (contra 89% da população geral), 80% dos que compram online usam marketplaces, 70% dos 50+ acessam a internet diariamente, mas 48,2% de todos os desconectados do país têm 60 anos ou mais](https://pesquisas.rito.ag/pesquisas/longevidade-consumidor-invisivel/imagens/grafico-03.svg)
*Fontes: Cetic.br/CGI.br, TIC Domicílios 2024 (indicadores C2A e H9); AlmapBBDO com QualiBest e Favela Diz, 2023.*

O outro lado do dado precisa do mesmo destaque: 37% dos 60+ seguem desconectados, e eles representam 48,2% de todos os brasileiros fora da internet. Além disso, 61% dos 60+ têm o que o Cetic.br chama de baixa "conectividade significativa" (acesso de qualidade, dispositivos adequados, habilidades de uso), contra 33% da população geral. A leitura da rito.ag para estratégia de canal é direta: o público maduro brasileiro é hoje o único grande segmento genuinamente multicanal do país. Uma parte dele decide em marketplace e paga por Pix; outra parte decide no balcão, pela vendedora que a conhece pelo nome, e paga no carnê. As marcas que escolherem um só lado dessa realidade perderão o outro, e as que entenderem a ponte entre os dois (o filho que pesquisa online para a mãe que compra na loja, a neta que instala o aplicativo para o avô) capturarão o fluxo inteiro da decisão familiar.

## A lacuna publicitária, medida anúncio por anúncio

Se a demografia cresce e a economia é de trilhões, resta medir com precisão o tamanho da negligência. Os estudos convergem de forma constrangedora.

No plano global, o já citado estudo da CreativeX de 2023 analisou mais de 126 mil anúncios com inteligência artificial de reconhecimento de imagem: pessoas 60+ eram 4% dos personagens, menos de 1% apareciam em papel profissional ou de liderança, cerca de 65% estavam confinadas a cenas domésticas e familiares, e as mulheres 60+ eram menos de 2% dos elencos. O grupo que é 16% da população mundial e um quarto do poder de gasto aparece, quando aparece, cuidando de neto.

Nos Estados Unidos, a AARP mantém desde 2018 a medição mais longa do fenômeno. O ponto de partida, publicado em 2019: adultos 50+ eram 46% da população adulta americana, mas apenas 15% das imagens com adultos usadas em mídia e marketing online; embora fossem um terço da força de trabalho, só 13% das imagens os mostravam trabalhando. A atualização de setembro de 2024, sobre mais de mil imagens e 500 vídeos, encontrou progresso seletivo: a representação com tecnologia saltou de 4% para 33% das imagens, o enquadramento negativo caiu de 28% para 10%, mas o retrato no trabalho ficou praticamente parado, de 13% para 14%. A publicidade aprendeu que o velho usa smartphone; ainda não aceitou que ele trabalha, lidera e empreende.

No Brasil, os números disponíveis fecham o circuito pela percepção e pela estrutura. A percepção: mais de 70% dos 50+ se sentem invisíveis para a publicidade (AlmapBBDO, 2023), e na mesma pesquisa 64% dos entrevistados das classes ABC e 77% das classes C e D não conseguiram citar marcas com as quais se conectam. A estrutura: os já mencionados 6% de profissionais 50+ nas agências. E o dado de verba que circula no setor global, citado pelo Stanford Center on Longevity a partir de AARP e Brookings, estima que apenas 5% a 10% dos orçamentos de marketing miram consumidores 50+. Esta pesquisa registra a ressalva: esse último número é consenso setorial repetido em cadeia, sem uma medição primária única localizável, e deve ser lido como ordem de grandeza. Mas mesmo que o valor real fosse o dobro do teto, seguiria absurdo diante de um grupo que responde por metade do consumo mundial.

A tabela abaixo condensa a assimetria:

| Dimensão | Peso real do 50+/60+ | Presença na publicidade | Fonte e ano |
|---|---|---|---|
| População mundial (60+) | 16% | 4% das pessoas em anúncios | CreativeX, 2023 |
| Papéis de liderança em anúncios | 50+ são cerca de 1/3 da força de trabalho | menos de 1% dos personagens 60+ | CreativeX, 2023 |
| População adulta dos EUA (50+) | 46% | 15% das imagens de marketing | AARP, 2019 |
| Consumo global (50+) | 50% (US$ 35 trilhões) | 5% a 10% dos budgets (estimativa setorial) | AARP/Economist Impact, 2020; Stanford/AARP |
| Brasil: percepção dos 50+ | 22,2 milhões de 65+ no Censo 2022 | mais de 70% se sentem invisíveis | IBGE, 2022; AlmapBBDO, 2023 |
| Equipes das agências brasileiras | os 60+ já eram 15,6% da população em 2023 | 6% dos profissionais têm 50+ | IBGE, 2024; Observatório da Diversidade via M&M |

Cada linha dessa tabela é uma decisão de mercado tomada no automático. Somadas, elas formam o que esta pesquisa considera a maior distorção sistemática entre valor econômico e atenção de marketing hoje em operação no Brasil.

## Idadismo custa caro, e a conta é literal

Seria possível ler a lacuna publicitária como mera miopia comercial. A literatura de saúde pública mostra que ela é parte de algo maior, com nome técnico e custo contabilizado.

Em março de 2021, a OMS publicou o Global Report on Ageism, o primeiro relatório global sobre discriminação por idade. O dado de prevalência veio de um survey com 83.034 pessoas em 57 países: uma em cada duas pessoas no mundo carrega atitudes idadistas contra pessoas mais velhas. Não é um desvio de minoria, é o preconceito da maioria, e o relatório o descreve como o mais normalizado e menos combatido dos preconceitos, presente em leis, instituições, algoritmos e, explicitamente, na mídia e na publicidade. Um comentário no The Lancet assinado por autores do relatório posicionou o idadismo como determinante social de saúde, na mesma categoria analítica de renda e escolaridade.

O custo é mensurável em três moedas. Em dinheiro: só nos Estados Unidos, o idadismo custa US$ 63 bilhões por ano ao sistema de saúde, um de cada sete dólares gastos nas oito condições mais caras, segundo estudo citado pelo relatório da OMS. Em saúde mental: o relatório estima 6,3 milhões de casos de depressão no mundo atribuíveis ao idadismo. E em anos de vida: o estudo mais impressionante da área, conduzido por Becca Levy, da Universidade Yale, e colegas, publicado no Journal of Personality and Social Psychology em 2002, acompanhou 660 pessoas em Ohio por 23 anos e encontrou que quem tinha autopercepção positiva do próprio envelhecimento viveu, em média, 7,5 anos a mais, vantagem que persistiu após controlar idade, gênero, condição socioeconômica, solidão e saúde funcional. É um estudo de coorte, associação e não experimento, como a boa leitura exige registrar. Mas 7,5 anos é mais do que os ganhos atribuídos a parar de fumar ou controlar o colesterol, e a variável em questão é uma crença sobre a velhice, do tipo que a cultura, e a publicidade que a alimenta, constrói todos os dias.

Aqui a pesquisa cruza sua linha mais importante: a representação idadista não é só um erro comercial que deixa dinheiro na mesa. É um insumo de saúde pública. Quando 65% dos personagens 60+ dos anúncios aparecem em cenas domésticas e menos de 1% em liderança, a publicidade está fabricando, em escala industrial, exatamente as autopercepções negativas que a literatura associa a vidas mais curtas. O Brasil reconheceu institucionalmente o peso das palavras nesse campo: em julho de 2022, a Lei 14.423 rebatizou o Estatuto do Idoso, de 2003, para Estatuto da Pessoa Idosa, atualizando toda a legislação federal. O gesto parece semântico, e é: semântica é o negócio da comunicação. Se a lei entendeu que a linguagem constrói a velhice, o mercado que vive de linguagem não tem álibi.

## O paradoxo da lealdade: metade do mercado está sem dono

De todos os números desta pesquisa, o que deveria tirar o sono de qualquer diretor de marketing é o menos citado: 52% dos consumidores brasileiros 60+ não são fiéis a nenhuma marca, segundo o Tsunami60+. Na faixa 75+, a infidelidade sobe para 74%. E a pesquisa da AlmapBBDO ecoa o mesmo vazio por outro ângulo: 64% dos entrevistados das classes ABC e 77% das classes C e D não conseguiram citar marcas com as quais se conectam.

Esses números desmontam a segunda metade da tese do 18-49. A primeira metade dizia que o consumidor maduro não vale a pena porque já formou suas preferências; os dados dizem que ele não formou preferência nenhuma, ou as abandonou. A leitura da rito.ag: isso não descreve um público teimoso, descreve um público destratado. Décadas de invisibilidade e caricatura não geraram lealdade a ninguém, geraram um mercado de trilhões em estado de disponibilidade. A infidelidade do consumidor maduro não é característica dele; é a nota que ele dá para o atendimento que recebeu.

Há uma consequência estratégica direta: no público jovem, a disputa de marca é um jogo de roubo de participação, caro e incremental, contra concorrentes entrincheirados. No público maduro, para metade do mercado, a disputa é de ocupação de vazio. O custo de aquisição de um cliente que não tem marca preferida e se sente ignorado por todas é estruturalmente menor do que o de arrancar um cliente satisfeito do concorrente. E a recompensa é composta: o cliente 60+ conquistado hoje tem, pela Tábua de Mortalidade do IBGE, duas décadas de relação pela frente, e influencia as compras da família inteira, com o detalhe de que, cada vez mais, é ele quem financia essas compras.

O paradoxo tem ainda uma dobra geracional que o mercado insiste em não ver: o grupo 60+ não é um estoque fixo de pessoas, é uma esteira. A cada ano, entra nele uma safra de brasileiros mais escolarizada, mais digital e mais exigente que a anterior. Quem faz 60 anos em 2026 tinha 28 anos no lançamento do Plano Real, 42 na chegada dos smartphones ao Brasil e passou a vida adulta inteira como alvo prioritário da publicidade. Essa pessoa não vai aceitar virar invisível na virada de um aniversário. A marca que espera o "novo idoso" se comportar como o antigo vai descobrir, tarde, que o cliente mudou de década sem mudar de exigência.

## Trabalho e unretirement: a aposentadoria deixou de ser um fim

A imagem do 60+ como economicamente inativo, base silenciosa de tanto briefing, também está desatualizada nos dados.

O sinal mais recente é institucional: o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), maior pesquisa de empreendedorismo do mundo, conduzida no Brasil pelo Sebrae com a Anegepe, incluiu em sua edição 2025 (divulgada em maio de 2026) a faixa de 65 a 74 anos pela primeira vez desde que a série começou no país, em 2001. Durante 24 anos, a principal régua do empreendedorismo nacional simplesmente não perguntava nada a quem tinha mais de 64 anos. E o que a primeira medição encontrou desmonta o estereótipo do empreendedorismo de desespero: entre os empreendedores de 65 a 74 anos, cerca de 63% empreendem por oportunidade, contra 32,5% por necessidade. Na faixa 55-64, a relação se inverte (42,3% oportunidade, 53,3% necessidade), o que sugere uma leitura fina: quem empreende às vésperas da aposentadoria o faz pressionado pela transição; quem empreende depois dela o faz, majoritariamente, porque quer.

O fenômeno tem infraestrutura própria no Brasil. A Maturi (ex-MaturiJobs), fundada em 2015 por Morris Litvak, plataforma de recolocação e desenvolvimento profissional para 50+, já somava mais de 80 mil profissionais cadastrados e cerca de 500 empresas parceiras em 2019, segundo o Instituto de Longevidade. A existência de um mercado organizado de talento maduro convive, porém, com a resistência do lado contratante: levantamentos de consultorias de RH citados pela imprensa indicam que a maioria das empresas brasileiras contrata pouco ou nenhum profissional 50+, o mesmo padrão etário das agências de publicidade.

O pano de fundo global confirma que atividade é o novo normal do envelhecimento. O McKinsey Health Institute, em survey com mais de 21 mil adultos 55+ em 21 países, encontrou correlação consistente entre participação (trabalho, voluntariado, aprendizado contínuo) e saúde percebida, com quem se mantém engajado reportando status de saúde significativamente melhor. A OMS chama isso de envelhecimento saudável e o coloca no centro da Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030. Para as marcas, o recado é de posicionamento: o consumidor maduro não quer ser retratado nem como jovem forçado, nem como dependente grato. Ele quer o que os dados mostram que ele é: ativo, produtivo e no comando das próprias escolhas. O primeiro setor que registrou isso em imagem, com um terço das fotos de 50+ agora mostrando uso de tecnologia (AARP, 2024), colheu o crédito. O papel que segue vago é o do 60+ líder, empreendedor e decisor. Menos de 1% dos anúncios o mostram assim. O GEM mostra que ele existe.

## Quem já acertou, e o que os acertos têm em comum

O argumento desta pesquisa não é teórico. Há marcas operando corretamente no território, e seus movimentos têm padrão.

**Natura, Brasil, 2017.** A marca Chronos lançou em agosto de 2017 a campanha #velhapraisso, atacando frontalmente as "regras não escritas" sobre aparência e idade (cabelo comprido depois dos 50, biquíni, aplicativo de namoro). O detalhe mais estratégico não estava no filme, mas na arquitetura de produto: a Natura afirma ter abolido o termo "anti-idade" de embalagens e comunicação da linha há mais de duas décadas, organizando o portfólio por objetivo de pele e não contra a idade. É a diferença entre usar a pauta e reconstruir a oferta. Fases seguintes trouxeram Zezé Motta, Maria Ribeiro e Débora Bloch, mantendo o tema como plataforma, não como ação isolada.

**Grupo Boticário e Nestlé, Brasil, anos 2020.** O Boticário levou a conversa para onde o estereótipo diz que ela não existe, com a campanha "Seu Auge é Hoje" protagonizada por influenciadoras 45+ no TikTok. A Nestlé, com Nutren Senior, construiu o posicionamento "O que você quer ser quando envelhecer", transformando a pergunta infantil em manifesto de projeto de vida. Os dois casos, documentados pelo Meio & Mensagem, compartilham a mesma decisão: falar de futuro, não de preservação. O consumidor maduro é tratado como alguém que está indo para algum lugar, não voltando de algum.

**L'Oréal Paris, global, desde 2014.** A contratação de Helen Mirren, então com 69 anos, como embaixadora da linha Age Perfect, somando-se a Jane Fonda e Julianne Moore, institucionalizou o rosto 60+ no topo do mercado de beleza, a categoria que mais lucrou com o medo de envelhecer. O Stanford Center on Longevity lista o movimento ao lado de casos como Saga no Reino Unido (serviços exclusivos para 50+) e J.Crew nos Estados Unidos, que colheu recordes de venda ao escalar modelos maduras: a demonstração de que o público responde quando se vê no espelho da marca.

O padrão comum é visível: nenhum desses casos "fala com idoso" como segmento exótico. Todos reposicionam a idade como identidade e poder, mantêm a pauta como plataforma de longo prazo e ajustam produto e elenco junto com o discurso. E todos precedem a concorrência em anos, o que confirma a lógica de vazio competitivo: em um mercado onde 52% não têm marca preferida, quem chega primeiro com respeito genuíno não disputa, ocupa.

## As Quatro Idades da Marca: o framework da rito.ag

Para transformar diagnóstico em decisão, a rito.ag organiza a relação das marcas com o consumidor maduro em quatro estágios. O nome é proposital: marcas também têm idade, não no CNPJ, mas na maturidade com que tratam a idade dos outros.

**Idade 1: Invisibilidade.** O consumidor maduro não existe no planejamento. Não há personas acima dos 55, não há mídia dedicada, não há elenco 60+ fora de datas comemorativas. É o estágio da maioria do mercado brasileiro, como os 4% da CreativeX e os 70% de invisibilidade percebida documentam. O custo é silencioso: a marca não perde clientes maduros que nunca teve, perde o crescimento que nunca mediu.

**Idade 2: Caricatura.** A marca "inclui" o maduro, mas pelo estereótipo: a vovó da margarina, o senhor confuso com tecnologia, o casal grato na propaganda de plano de saúde. É o estágio mais arriscado, porque paga o custo da produção e colhe o dano da rejeição: o público que se vê retratado "de forma equivocada", nas palavras da pesquisa da AlmapBBDO, não perdoa a marca que o diminui. A queda do enquadramento negativo de 28% para 10% nas imagens americanas (AARP, 2024) mostra que o mercado global está saindo deste estágio; parte do brasileiro ainda está entrando nele.

**Idade 3: Gueto.** A marca cria a "linha sênior", o "produto para a melhor idade", a comunicação segregada. Há progresso real (o público é visto e atendido), mas o rótulo etário cobra pedágio: ninguém quer comprar o produto que o declara velho, e o rebatismo do próprio Estatuto em 2022 mostra a sensibilidade nacional ao rótulo. O gueto também deixa dinheiro na mesa: exclui os maduros que não se identificam com a categoria "sênior" (a maioria, a julgar pela infidelidade de marca) e os mais jovens que comprariam o produto sem o carimbo.

**Idade 4: Pertencimento.** A idade deixa de ser segmento e vira dimensão transversal: elenco intergeracional como padrão, produto desenhado por objetivo e não contra a idade, canais multicanal por escolha do cliente, equipes com profissionais maduros decidindo. É o estágio Natura/L'Oréal: a marca não fala "com idosos", fala com pessoas em todas as idades, e é reconhecida por isso exatamente pelo público que as demais ignoram. Nos dados desta pesquisa, é o único estágio compatível com o tamanho e a heterogeneidade reais do mercado.

![As Quatro Idades da Marca, framework da rito.ag: da Invisibilidade (o maduro não existe no planejamento) à Caricatura (existe pelo estereótipo), ao Gueto (existe segregado em linha sênior) e ao Pertencimento (a idade como dimensão transversal de produto, elenco e canal)](https://pesquisas.rito.ag/pesquisas/longevidade-consumidor-invisivel/imagens/grafico-04.svg)
*Framework proprietário rito.ag, 2026.*

O diagnóstico de estágio é simples de operar: audite os últimos 12 meses de campanhas (quantos rostos 60+, em que papéis), o portfólio (existe produto que só se define pela idade do comprador?), a mídia (que fração da verba alcança 55+?) e o organograma (quantos decisores 50+?). As respostas posicionam a marca em uma das quatro idades, e a distância até a quarta é o tamanho da oportunidade, porque é lá que estão os 52% sem dono.

## E se estivermos errados

A tese desta pesquisa tem limites, e quatro objeções merecem resposta em vez de silêncio.

**Primeira: o poder de compra prateado brasileiro pode estar superestimado.** Os números de mercado (R$ 1,6 trilhão, R$ 2 trilhões) vêm de estudos comerciais com metodologias não totalmente públicas e amostras enviesadas para cima, como a própria pesquisa registrou. A renda média real do 60+ brasileiro é um benefício previdenciário modesto, parcialmente comprometido com consignado, e a pobreza na velhice, embora baixa em termos relativos (8,3%), convive com enorme desigualdade regional e racial. Resposta: a tese não depende do número exato de trilhões; depende da direção demográfica (incontestável, é o IBGE) e da assimetria de atenção (medida por múltiplas fontes independentes). Mesmo o cenário conservador descreve um mercado gigantesco e negligenciado.

**Segunda: segmentar por idade pode ser o erro, não a solução.** Se 52% não têm lealdade e a esteira renova o grupo a cada ano, talvez a categoria "consumidor 60+" seja tão artificial quanto o 18-49, e marcas devessem segmentar por momento de vida, renda ou comportamento. Resposta: concordamos, e o framework aponta exatamente para isso; a Idade 4 é a superação da segmentação etária, não seu aperfeiçoamento. O que não se sustenta é a posição atual, em que a idade não é usada para entender o cliente, mas para descartá-lo.

**Terceira: a janela pode se fechar sozinha.** Pode-se argumentar que o problema se resolve por inércia: os millennials começam a fazer 50 anos em 2031, as equipes envelhecem, a representação melhora gradualmente (como as imagens de tecnologia da AARP mostram). Por que agir agora? Resposta: porque lealdade se constrói antes da concorrência chegar, não junto. Quando a representação madura virar norma, ela deixará de diferenciar. Os casos Natura e L'Oréal valem hoje justamente porque começaram há uma década. O prêmio do pioneiro em um mercado 52% sem dono é dos maiores disponíveis no marketing brasileiro; o prêmio do décimo entrante será nenhum.

**Quarta: o risco reputacional do oportunismo.** Marcas que abraçarem a pauta da longevidade como estética de campanha, sem mudar produto, canal e equipe, serão lidas como o "purpose-washing" que já desgastou outras pautas. O consumidor maduro, que segundo a AlmapBBDO não consegue citar marcas com que se conecta, tem memória longa para promessas curtas. Resposta: correto, e por isso o framework exige coerência entre as quatro dimensões (elenco, produto, mídia, organograma). A pauta etária punirá o oportunismo com a mesma força com que premiará a consistência.

Registre-se, por fim, a assimetria fundamental do risco: o custo de superestimar esse mercado é uma verba de mídia mal otimizada; o custo de subestimá-lo é assistir, pela margem, à formação do maior bloco de consumo da história do país. Não são riscos comparáveis.

## Cenários 2026-2031: a década em que o alvo muda de idade

Cinco anos separam esta pesquisa do momento em que a primeira leva de millennials cruza os 50 anos, em 2031. O que observar até lá, em três trajetórias plausíveis.

**Cenário 1: a corrida da representação (mais provável).** A pressão demográfica, os casos de sucesso e a régua internacional empurram as grandes marcas brasileiras para a Idade 3 e algumas para a Idade 4 até 2029. Sinais: crescimento visível de elenco 60+ em campanhas de varejo e bancos (as categorias com mais a ganhar, dada a renda previsível do público); surgimento de métricas de representação etária em relatórios de diversidade das agências; a próxima edição de estudos como o da CreativeX mostrando o 4% global dobrando. Quem já estiver posicionado colhe; quem chegar em 2029 paga o preço da paridade.

**Cenário 2: a estagnação seletiva.** O mercado melhora a estética (mais rostos maduros) sem mudar a estrutura (verba, produto, equipes), repetindo o padrão americano medido pela AARP: tecnologia sim, liderança não. A percepção de invisibilidade cai pouco, a infidelidade de marca continua alta, e o mercado segue aberto. É o cenário em que a vantagem do movimento genuíno dura mais tempo, porque a concorrência confunde figuração com estratégia.

**Cenário 3: a disrupção de fora.** Quem captura o mercado prateado não são as marcas estabelecidas, mas nativas da longevidade: fintechs de crédito justo para aposentados, healthtechs, plataformas de trabalho maduro como a Maturi, marcas de beleza sem idade nascidas digitais. O paralelo é o que as fintechs fizeram com os "não bancarizados": o público que o incumbente tratava como residual virou a base de um novo setor. Sinais: rodadas de investimento em agetechs brasileiras, crescimento de assinaturas e serviços 50+ fora do radar da mídia tradicional. Nesse cenário, as marcas estabelecidas não perdem uma campanha, perdem uma categoria.

Em qualquer dos três, uma constante: a esteira demográfica não para. Entre 2026 e 2031, o Brasil ganhará milhões de novos 60+, todos vindos de uma vida inteira como alvo prioritário do marketing. A única pergunta é se as marcas os acompanharão na travessia ou os abandonarão na fronteira dos 59.

## O que uma marca faz com isso agora

Cinco movimentos práticos, em ordem de esforço.

**Auditar a própria invisibilidade.** Antes de qualquer campanha: contar rostos 60+ nos últimos 12 meses de comunicação, medir a fração da verba que efetivamente alcança 55+, verificar se existe persona madura no planejamento e quantos decisores 50+ participam das aprovações. A maioria das marcas nunca fez essa conta, e ela costuma constranger. O constrangimento é o começo do trabalho.

**Corrigir o retrato antes de ampliar o alcance.** Aparecer mal é pior que não aparecer: a Caricatura destrói mais valor que a Invisibilidade. Elenco maduro em papéis de decisão, competência e desejo (não de gratidão e cuidado), revisão de roteiro para eliminar o humor à custa da idade, e a pergunta-filtro em toda aprovação: essa pessoa 60+ está indo para algum lugar ou voltando de algum?

**Desenhar para a heterogeneidade, não para o rótulo.** Substituir a "linha sênior" por arquitetura de produto por objetivo e contexto; garantir que o funil funcione multicanal de verdade (o marketplace e o balcão, o Pix e o carnê); tratar acessibilidade (fonte, contraste, atendimento humano) como qualidade para todos, não como concessão para velhos. As marcas da Idade 4 não têm produtos para idosos; têm produtos que não expulsam ninguém.

**Contratar a experiência que falta na sala.** Os 6% de profissionais 50+ nas agências e o padrão equivalente nos times de marketing são a causa estrutural do problema. Nenhum workshop de empatia substitui a presença de quem conhece o público por dentro. A marca que exigir diversidade etária das suas agências, como já exige as demais diversidades, mudará o output sem precisar de mais um manual.

**Construir a relação de duas décadas.** O cliente 60+ conquistado hoje tem, em média, 22,6 anos de vida pela frente, influência crescente sobre o consumo da família e nenhuma lealdade prévia a defender. Programas de relacionamento, comunidade e serviço desenhados para esse horizonte (e não para o trimestre) capturam o valor composto que a concorrência está deixando na mesa. É a inversão final da lógica do 18-49: o consumidor que o modelo antigo descartava por "não ter futuro" é o que oferece o futuro mais longo e mais vazio de concorrência do mercado brasileiro.

## A pergunta que fica

Em 1965, uma emissora de TV em terceiro lugar inventou que o consumidor deixava de valer aos 49 anos, e o marketing mundial transformou a conveniência comercial de uma empresa em lei da física. Sessenta anos depois, o Brasil tem 22 milhões de pessoas 65+, caminha para ser um país com quase 40% de 60+, deposita nas mãos desse grupo a renda mais estável da economia, e continua produzindo publicidade em que ele aparece em 4% das cenas, quase nunca no comando.

Esta pesquisa mediu a distância entre esses dois fatos e encontrou, no meio dela, o maior mercado disponível do país: trilhões em consumo, metade dele declaradamente sem marca preferida, crescendo todos os anos pela única esteira demográfica que não desacelera. Encontrou também o custo invisível da omissão, pago em estereótipo, em saúde e em anos de vida, como a literatura de Yale e da OMS documenta.

A pergunta que fica não é se o mercado vai corrigir essa distorção; a demografia garante que vai, por bem ou por inércia. A pergunta é a que define quem lucra com correções: quando o consumidor que hoje se sente invisível escolher, enfim, as marcas da segunda metade da vida dele, a sua vai estar na lista, ou vai estar explicando no planejamento de 2032 por que descobriu tarde o público que o IBGE anunciou com 40 anos de antecedência?

## Metodologia

Cruzamento de dados demográficos primários do IBGE (Censo 2022, Projeções da População revisão 2024, Tábuas de Mortalidade, Síntese de Indicadores Sociais), dados de uso de internet do Cetic.br/CGI.br (TIC Domicílios 2024), relatórios da AARP com Economist Impact (Global Longevity Economy Outlook e Longevity Economy Outlook 2026), OMS (Global Report on Ageism, 2021), McKinsey Health Institute, GEM/Sebrae 2025 e estudos brasileiros de mercado (Tsunami60+ da Pipe.Social/Hype60+, AlmapBBDO com QualiBest e Favela Diz, Data8) e de representação (CreativeX, AARP). Revisão de literatura acadêmica em Journal of Personality and Social Psychology, The Lancet, Cadernos Pagu e Galáxia. Cada dado central foi confirmado em segunda fonte independente ou teve a divergência de método e ano explicitada no texto.

- Amostra: Análise de fontes primárias e literatura acadêmica
- Abrangência: Global, com foco no Brasil
- Atualizado em: 2026-07-30

## Fontes e referências

1. [Metrópoles, Censo 2022: população acima de 65 anos aumentou 57,4% em 12 anos (outubro de 2023, dados IBGE)](https://www.metropoles.com/brasil/censo-2022-acima-65-aumento-574)
2. [Terra, População do Brasil deve parar de crescer em 2041, aponta IBGE (Projeções da População, revisão 2024)](https://www.terra.com.br/noticias/brasil/cidades/populacao-do-brasil-deve-parar-de-crescer-em-2041-aponta-ibge,fa4d815b24d86fd0188a2f3fafd157149lsyij7a.html)
3. [Agência Brasil, Expectativa de vida no país sobe para 76,6 anos, maior já registrada (Tábua de Mortalidade IBGE 2024, novembro de 2025)](https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-11/expectativa-de-vida-no-pais-sobe-para-766-anos-maior-ja-registrada)
4. [Fundação Perseu Abramo, Brasil reduz pobreza ao menor nível em mais de uma década, aponta IBGE (Síntese de Indicadores Sociais, dezembro de 2025)](https://fpabramo.org.br/focusbrasil/2025/12/09/brasil-reduz-pobreza-ao-menor-nivel-em-mais-de-uma-decada-aponta-ibge/)
5. [OMS, Ageing and health, fact sheet (outubro de 2025)](https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ageing-and-health)
6. [OMS, Global report on ageism (março de 2021)](https://www.who.int/publications/i/item/9789240016866)
7. [OMS, Ageism is a global challenge: UN (release, março de 2021)](https://www.who.int/news/item/18-03-2021-ageism-is-a-global-challenge-un)
8. [AARP, Global Longevity Economy Outlook: contribuição econômica dos 50+ (com Economist Impact)](https://www.aarp.org/states/delaware/aarp-report-finds-that-older-population-makes-significant-and-growing-contributions-to-global-economy/)
9. [AARP Public Policy Institute, The Global Longevity Economy Outlook (página do estudo)](https://www.aarp.org/pri/topics/work-finances-retirement/economics-aging/global-longevity-economy/)
10. [AARP, Longevity Economy Outlook 2026: os 50+ geram 43% do PIB americano (junho de 2026)](https://www.aarp.org/money/personal-finance/longevity-economy-report-2026/)
11. [Cetic.br/CGI.br, TIC Domicílios 2024, indicador C2A: usuários de internet por faixa etária](https://cetic.br/pt/tics/domicilios/2024/individuos/C2A/)
12. [Cetic.br/CGI.br, TIC Domicílios 2024, indicador H9: canais de compra online](https://cetic.br/pt/tics/domicilios/2024/individuos/H9/)
13. [Cetic.br, Em duas décadas, proporção de lares com internet passou de 13% para 85% (release TIC Domicílios 2024)](https://cetic.br/pt/noticia/em-duas-decadas-proporcao-de-lares-urbanos-brasileiros-com-internet-passou-de-13-para-85-aponta-tic-domicilios-2024/)
14. [Pipe.Labo, Tsunami60+: a economia prateada (2018)](https://pipelabo.com/tendencias/tsunami60-a-economia-prateada/)
15. [Consumidor Moderno, Pesquisa mostra hábitos da geração prateada (Tsunami60+, abril de 2019)](https://consumidormoderno.com.br/2019/04/11/pesquisa-mostra-habitos-da-geracao-prateada)
16. [Meio & Mensagem, As marcas estão prontas para falar com as mulheres 50+?](https://www.meioemensagem.com.br/womentowatch/marcas-mulheres-50)
17. [Meio & Mensagem, Pesquisa indica presença do etarismo na propaganda (AlmapBBDO, QualiBest e Favela Diz, 2023)](https://www.meioemensagem.com.br/comunicacao/etarismo-na-propaganda)
18. [Marketing Brew, Older adults are still underrepresented in ads, new study finds (CreativeX, agosto de 2023)](https://www.marketingbrew.com/stories/2023/08/24/older-adults-are-still-underrepresented-in-ads-new-study-finds)
19. [CBS News, Older Americans are half the country but seldom seen in online ads (AARP, 2019)](https://www.cbsnews.com/news/older-americans-are-half-the-country-but-seldom-seen-in-online-ads/)
20. [AARP via PR Newswire, New AARP research shows positive shift in online images of older adults (setembro de 2024)](https://www.prnewswire.com/news-releases/new-aarp-research-shows-positive-shift-in-online-images-of-older-adults-while-highlighting-need-for-further-improvement-302257124.html)
21. [Stanford Center on Longevity, How leading brands are winning the 50+ economy](https://longevity.stanford.edu/how-leading-brands-are-winning-the-50-economy/)
22. [McKinsey Health Institute, Age is just a number: how older adults view healthy aging (maio de 2023)](https://www.mckinsey.com/mhi/our-insights/age-is-just-a-number-how-older-adults-view-healthy-aging)
23. [Agência Sebrae, Mais de 60% dos empreendedores entre 65 e 74 anos empreendem por oportunidade (GEM 2025, maio de 2026)](https://agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/mais-de-60-dos-empreendedores-entre-65-e-74-anos-empreendem-por-oportunidade/)
24. [Grandes Nomes da Propaganda, Natura lança campanha que questiona tabus e padrões de beleza (Chronos #velhapraisso, agosto de 2017)](https://grandesnomesdapropaganda.com.br/anunciantes/natura-lanca-campanha-que-questiona-tabus-e-padroes-de-beleza-em-novo-filme-da-marca-chronos/)
25. [Senado Notícias, Estatuto da Pessoa Idosa: lei é rebatizada para garantir inclusão (julho de 2022)](https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2022/07/25/estatuto-da-pessoa-idosa-lei-e-rebatizada-para-garantir-inclusao)
26. [Instituto de Longevidade, MaturiJobs: recolocação profissional para 50+ (abril de 2019)](https://institutodelongevidade.org/longevidade-e-trabalho/empreendedorismo/maturijobs)
27. [Awful Announcing, How ABC created the 18-49 demographic (fevereiro de 2017)](https://awfulannouncing.com/ratings/how-abc-created-18-49-demographic.html)
28. [Levy, Slade, Kunkel e Kasl (2002), Longevity increased by positive self-perceptions of aging, Journal of Personality and Social Psychology, DOI 10.1037/0022-3514.83.2.261 (PDF oficial APA)](https://www.apa.org/pubs/journals/releases/psp-832261.pdf)
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30. [Mikton, de la Fuente-Núñez, Officer e Krug (2021), Ageism: a social determinant of health that has come of age, The Lancet, DOI 10.1016/S0140-6736(21)00524-9](https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)00524-9)
31. [Castro (2016), O idadismo como viés cultural, Galáxia, DOI 10.1590/1982-25542016120675](https://doi.org/10.1590/1982-25542016120675)

## Perguntas frequentes

### O que é a economia da longevidade?

É o conjunto da atividade econômica gerada pelas pessoas com 50 anos ou mais: consumo, trabalho, impostos e cuidado. Segundo o Global Longevity Economy Outlook da AARP com a Economist Impact, os 50+ geraram US$ 45 trilhões em 2020 (34% do PIB global), valor que deve chegar a US$ 118 trilhões em 2050.

### Quantos idosos o Brasil tem e quantos terá?

O Censo 2022 contou 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, 10,9% da população, um crescimento de 57,4% sobre 2010. Pelas projeções do IBGE (revisão 2024), as pessoas com 60 anos ou mais passarão de 15,6% da população em 2023 para 37,8% em 2070, e a população total atinge o pico em 2041.

### Por que a publicidade ignora o consumidor 50+?

Por herança do modelo de segmentação por idade criado pela TV americana nos anos 1960 (o demo 18-49), pelo idadismo estrutural documentado pela OMS e pela composição das próprias equipes: só 6% dos profissionais de agências brasileiras têm mais de 50 anos, segundo o Observatório da Diversidade da Propaganda citado pelo Meio & Mensagem. O resultado medido: 4% das pessoas nos anúncios têm 60+, e mais de 70% dos brasileiros maduros se sentem invisíveis para a publicidade.

### O consumidor 60+ brasileiro compra online?

Sim, e cada vez mais: 63% dos brasileiros 60+ usavam internet em 2024, segundo a TIC Domicílios do Cetic.br, e entre os que compram online, 80% usam marketplaces. Mas o gap digital persiste: 48,2% de todos os desconectados do país têm 60 anos ou mais, o que exige estratégia multicanal.

## Como citar

rito.ag. O Consumidor Invisível: a Economia da Longevidade e o Maior Erro de Cálculo da Publicidade Brasileira. Pesquisas rito.ag, 2026.

